
A peça é uma adaptação do livro de Maya Angelou, a
primeira mulher negra a ser roteirista e diretora em Hollywood, e fica em
cartaz no CCBB RJ de 15 de agosto à 5 de outubro.
Zezé
Motta percorreu uma trajetória inspiradora em suas quase seis décadas de
carreira. Gravou 14 discos, fez mais de 100 personagens na TV e no cinema. Já
esteve nos mais importantes palcos do mundo, apresentou-se no Carnegie Hall de
Nova York, no Olympia de Paris e na Venezuela, México, Chile, Argentina, Angola
e Portugal.
É
uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado (MNU), denunciando
corajosamente casos de racismo.
Em
comemoração à trajetória de uma das artistas mais aclamadas do país e que
inspira gerações de mulheres negras na luta por espaço, expressão e
oportunidades, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) traz para seu palco do
Rio de Janeiro, depois de uma temporada com lotação esgotada em todas as
apresentações no CCBB Brasília e no CCBB Belo Horizonte, o primeiro monólogo da
carreira de Zezé Motta: “Vou Fazer de Mim um Mundo”. A montagem estreou no dia
15 de agosto e fica em cartaz até o dia 5 de outubro, no Teatro I do CCBB RJ,
sextas e sábados às 19h e nos domingos às 18h.
Os
ingressos estão sendo vendidos a R$30 (inteira) e R$15 (meia-entrada), no site
bb.com.br/cultura e na bilheteria do CCBB RJ. Todas as sessões contam com acessibilidade
em Libras.
A
sessão do dia 27/09, sábado, contará com audiodescrição. Além disso, após a
sessão do dia 13/09, sábado, haverá um bate papo com a equipe do espetáculo.
O
projeto é apresentado pelo Ministério da Cultura e Banco do Brasil, por meio da
Lei Federal de Incentivo à Cultura.
O
espetáculo é uma adaptação para teatro do livro da Dra. Maya Angelou, o
best-seller “Eu sei por que o pássaro canta na gaiola”, lançado em 1969 e que
agora chega ao Brasil, com dramaturgia e direção de Elissandro de Aquino.
A
história, que se tornou um clássico, é a primeira das sete autobiografias que a
autora publicou. Em ‘Pássaro’, Maya apresenta um tocante retrato da comunidade
negra dos Estados Unidos, durante a segregação dos anos 1930-1940. Nele, parece
haver um grito silencioso desse pássaro aprisionado que a Dra. Maya Angelou
vivenciou e que a tornou ainda mais forte.
Como
ela mesma cita: “O pássaro engaiolado
canta com um trinado amedrontado sobre coisas desconhecidas, mas ainda
desejadas...”. Angelou foi múltipla: poetisa, escritora, professora,
roteirista, cantora, tradutora, atriz, militante, conviveu com Malcolm X, com
James Baldwin, com o pastor Martin Luther King Jr. e se tornou um dos nomes mais
reverenciados do século 20.
A
peça valoriza a palavra oral, a palavra bem pronunciada a nos salvar de toda a
loucura, tensão e extremismo da contemporaneidade. O cenário intimista, criado
pelo artista plástico Claudio Partes, traz uma plantação de algodão, nuvens e
um livro, de onde brotam as palavras poeticamente recitadas por Zezé.
A
iluminação de Aurélio de Simoni, profissional que dispensa apresentações, cria
uma atmosfera, pinçando memórias e afetos antigos. O figurino é de Margo Margot
e apresenta Zezé com uma paleta amarela, contextualizada ao fim da peça, mas,
também, alusão direta a Oxum, seu orixá.
A
adaptação e a direção de Aquino abrem possibilidades para evocar a palavra, por
vezes cadenciada como uma coreografia, por vezes como uma música, com notas
espontâneas e improvisadas. Sempre, contudo, bendita.
“Partimos para um projeto bastante
intimista, corajoso e potente. A ideia é cruzar duas realidades – a princípio
tão distantes – e encontrar um elo entre as experiências humanas que nos
atravessam como se não houvesse fronteiras. O projeto se abre em camadas,
alternando micro e macro, o que o torna interessante e, ao mesmo tempo,
desafiador. Sabemos que ele toca feridas diferentes, pois ora apresenta
congruências coletivas, ora invade a nossa casa e expõe as dores mais veladas”, alerta o
diretor artístico.
Em
cena, Mila Moura e Pedro Leal David, multiplicarão o palco tocando arranjos
exclusivos forjados no blues e suas variações. A trilha, porém, não se limita à
atmosfera dos anos 30/40 do Sul dos Estados Unidos. Ao contrário, ela se mescla
e abrange um campo nacional ao trazer nossos contemporâneos Dorival Caymmi,
Luiz Melodia, Luiz Gonzaga, Milton Nascimento, Johnny Alf, Dona Clementina e
Seu Jorge.
Segundo
Pedro Leal David, que assina a direção musical, “é a confluência de dois rios: Maya Angelou e Zezé Motta. Com suas
carreiras atravessadas pela música é natural que se buscasse, em antigas
gravações, pistas para esse processo de criação. As musicalidades de Maya e
Zezé nos dão notícias distintas sobre como os ritmos, sons, tons da diáspora
africana foram abrindo caminho ao longo do século XX, tanto nos Estados Unidos,
como no Brasil. Nossa proposta foi deixar esses rios se encontrarem, trazendo o
blues pro violão de nylon, como quem levasse Baden Powell para um passeio nas
margens do Mississipi, ou como quem imaginasse os Tincoãs, numa manhã de
domingo, com suas vozes e atabaques, num culto em uma igreja da Louisiana. A
Zezé tropicalista (ouça ‘Prazer Zezé, de 1972!) e a Maya do ‘Calypso’ nos dão a
ousadia para esse experimento”.
Zezé,
em “Vou Fazer de Mim um Mundo”, aventura-se, corajosamente, num universo pouco
habitual dessa atriz-cantora solar. Nesse espetáculo mais lunar, veremos uma
Zezé introspectiva, política, denunciadora das mazelas sofridas por nossos
antepassados e, sim, dolorida.
Zezé
pertence àquela categoria de atrizes que sentem profundamente cada palavra,
que, quando ditas, estranhamente vão abrindo chagas ou cicatrizando feridas.
Sabiamente o texto finaliza com alegria.
Não
uma alegria exaltada, do riso, mas uma alegria por ter ao que agradecer, por
honrar os ancestrais, uma alegria por aprender com as gerações que é preciso
continuar a trajetória sendo a mudança.
Depois
de dez anos, ter o retorno de Zezé Motta ao teatro estrelando “Vou Fazer de Mim
um Mundo”, seu primeiro monólogo, é uma forma de celebrar seu octogésimo ano
com um acontecimento único e histórico.
Serviço.
Vou Fazer de Mim um Mundo.
Temporada:
de 15 de agosto até 5 de outubro – Sexta e Sábado, às 19h e domingo às 18h.
Local:
Teatro I.
Classificação
indicativa: 16 anos.
Duração:
60 minutos.
Ingressos:
R$30 (inteira) e R$15 (meia-entrada), disponíveis no site bb.com.br/cultura e
na bilheteria do CCBB Rio de Janeiro.
Acessibilidade
em Libras, em todas as sessões.
Audiodescrição
na sessão do dia 27/09, sábado.
Bate-papo
pós-sessão do dia 13/09, sábado.
Estudantes,
maiores de 65 anos e Clientes Ourocard pagam meia entrada.
Serviço CCBB.
Centro
Cultural Banco do Brasil.
Endereço:
Rua Primeiro de Março, 66 - Centro, Rio de Janeiro (RJ).
Tel.
(21) 3808-2020 | ccbbrio@bb.com.br
Informações
sobre programação, acessibilidade, estacionamento e outros
serviços: bb.com.br/cultura
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Por:
Clilton Paz.
Fonte:
Cláudia Tisato.