Antes do cargo, vem a história: quatro trajetórias revelam o que forma uma liderança

 

Foto: Divulgação.

Coautoras de “Vozes que Lideram” compartilham experiências sobre identidade, reconhecimento, desenvolvimento de pessoas, limites e ocupação de espaços; livro será lançado em 6 de novembro, em São Paulo.

 

Antes de existir um cargo, uma equipe ou uma posição formal de liderança, existem experiências que moldam a maneira como cada pessoa passa a ocupar espaços, tomar decisões e influenciar quem está ao redor.

Recomeços, relações profissionais, quebra de paradigmas, reconhecimento do próprio valor, sobrecarga e escolhas difíceis fazem parte das trajetórias de Kelly Pina, Anna Majewski, Keyla Gracia e Carol Coelho, coautoras do livro Vozes que Lideram.

Quatro histórias distintas que ajudam a mostrar que liderança não nasce de uma fórmula única — e, muitas vezes, começa muito antes de qualquer reconhecimento formal.

A proposta faz parte do movimento idealizado por Jackeline Camillo, que nasceu com uma ambição que ultrapassa a publicação de um livro.

“Quando idealizei Vozes que Lideram, nunca pensei apenas em publicar um livro. Queria provocar nessas mulheres a consciência de que suas histórias têm valor, suas vozes têm potência e suas trajetórias podem abrir caminhos para outras pessoas. Muitas mulheres passaram a vida construindo resultados, desenvolvendo pessoas e superando desafios, mas nem sempre reconheceram a própria autoridade.”

Para Jackeline, são justamente as diferenças entre essas trajetórias que ampliam a compreensão sobre o que significa liderar.

“O que essas diferentes histórias revelam é que não existe uma única maneira de liderar. Liderança também nasce das cicatrizes, dos recomeços, das escolhas e da coragem de ocupar espaços. Vozes que Lideram é sobre transformar experiências individuais em posicionamento, influência e legado coletivo. Porque não basta chegar a determinados lugares. Precisamos continuar abrindo portas para que outras mulheres também possam chegar.”

Para Kelly Pina, uma das escolhas mais importantes de sua trajetória foi não permitir que as circunstâncias determinassem até onde poderia chegar. Mulher preta, ela associa sua construção profissional a recomeços, decisões difíceis e à coragem de ocupar espaços que, em diferentes momentos, pareciam distantes de sua realidade.

“Como mulher preta, aprendi cedo que competência, preparação e coragem precisariam caminhar juntas”, afirma. Para Kelly, os desafios enfrentados ampliaram sua visão e fortaleceram sua identidade. “Não preciso abrir mão de quem sou para chegar aonde desejo.”

Na trajetória de Anna Majewski, a construção da liderança passa pelo reconhecimento do próprio valor e pela coragem de romper com caminhos previamente estabelecidos.

Depois de enfrentar desafios e quebrar paradigmas, Anna compreendeu que conquistar espaço não precisa significar abrir mão da própria essência.

“Não precisamos seguir caminhos preestabelecidos para conquistar nosso espaço, nem abrir mão de quem somos para sermos reconhecidas”, afirma. Para ela, “a liderança começa quando reconhecemos nosso próprio valor e temos coragem de construir uma história que faça sentido para nós mesmas.”

Já Keyla Gracia relaciona sua maneira de liderar às experiências que viveu também do outro lado dessa relação: como liderada.

Ao longo da carreira, percebeu o impacto que a presença, a confiança e o incentivo de uma liderança podem exercer sobre o desenvolvimento de alguém. Hoje, procura levar esse aprendizado para sua atuação, combinando foco em resultados com proximidade e desenvolvimento das pessoas.

“Entregar o nosso melhor começa por criar um ambiente em que as pessoas se sintam confiantes para crescer, aprender e construir juntas”, afirma.

Para Keyla, cuidar de pessoas e buscar resultados não são movimentos opostos. “Liderar é equilibrar a garra para alcançar resultados com a empatia para entender que, por trás deles, existem pessoas.”

Carol Coelho traz outro olhar para essa construção: o impacto da sobrecarga e da naturalização da exaustão sobre a própria forma de liderar.

Acostumada a conciliar diferentes papéis e criada em uma família de mulheres fortes e trabalhadoras, Carol percebeu, em determinado momento da carreira, que havia aprendido a aceitar demandas sem estabelecer limites — comportamento que também começava a aparecer na relação com suas equipes.

“Quando eu me dei conta de que estava acostumada a me sentir exausta, comecei, inclusive, a perceber que isso reverberava no meu estilo de liderança”, conta.

Ela passou a reconhecer que cobrava das pessoas muitas atividades ao mesmo tempo, rapidez nas entregas e até se sentia desconfortável quando alguém dizia não. Olhar para esse padrão foi também uma oportunidade de compreender o quanto determinadas expectativas haviam sido construídas socialmente e incorporadas ao longo de sua própria trajetória.

“Esse foi o momento que eu mais aprendi, mais me ressignifiquei como mulher e também como líder.”

A experiência também ampliou sua reflexão sobre produtividade, planejamento e ambientes de trabalho mais saudáveis. Hoje, Carol associa sua liderança à colaboração e ao respeito ao indivíduo — mudança que, segundo ela, também passou a ser reconhecida pelas pessoas que estiveram sob sua gestão.

 

Foto: Divulgação.

Uma jornada que vai além do livro.

As quatro histórias fazem parte de uma construção maior. Nesta primeira edição, 26 mulheres passaram por uma jornada de desenvolvimento que envolveu mentorias, fortalecimento do posicionamento, construção de autoridade e desenvolvimento da voz pública.

O livro é uma das materializações desse processo, mas não seu único objetivo. A proposta é fazer com que experiências profissionais e pessoais sejam reconhecidas como repertório, transformadas em narrativa e ampliadas para gerar influência, conexão e legado.

Quando colocadas lado a lado, as diferentes trajetórias revelam um ponto em comum: a liderança dificilmente começa quando alguém recebe um cargo.

Ela pode nascer de um recomeço, da relação com quem liderou antes, da necessidade de quebrar padrões, do reconhecimento do próprio valor, do estabelecimento de novos limites ou da decisão de não permitir que circunstâncias externas determinem os caminhos de uma trajetória.

E o movimento já começa a olhar para o próximo ciclo. A segunda edição de Vozes que Lideram está em estruturação, ampliando a proposta para que novas mulheres possam reconhecer a potência de suas histórias, fortalecer suas vozes e construir outras narrativas de liderança.

 

Acompanhe as novidades do movimento Vozes que Lideram pelo LinkedIn e Instagram: @VozesQueLideram.

 

Serviço.

 

Lançamento do livro “Vozes que Lideram”.

Data: 6 de novembro de 2026.

Horário: 19h.

Local: OVOO – São Paulo.

Endereço: Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 1865 – Jardim Paulistano, São Paulo/SP.

 

Por: Clilton Paz.

Fonte: Carlos Rodrigues.

Mileide Mihaile está de volta ao posto de rainha da bateria da Unidos da Tijuca

 

Foto: Mauro Samagaio.

Influenciadora e empresária reorganizou compromissos e reinará pelo segundo ano consecutivo à frente da Pura Cadência.

 

Acabou o mistério! Após anunciar a sua saída, Mileide Mihaile reassume o posto de rainha da bateria da Unidos da Tijuca para o Carnaval 2027. A influenciadora e empresária estará à frente da bateria Pura Cadência por mais um ano. Segundo ela, a possibilidade de deixar a escola estava relacionada a compromissos pessoais, que foram reorganizados para permitir sua continuidade na agremiação.

A decisão representa mais um capítulo de sua trajetória no samba. Mileide conta que, apesar das questões que poderiam impedir sua permanência, a vontade de continuar vivendo o Carnaval ao lado da comunidade tijucana sempre esteve presente. “Eu sei que muita gente ficou surpresa com tudo isso, mas existia uma questão pessoal que precisava da minha atenção e que, naquele momento, poderia me impedir de continuar. Foram dias de muita conversa, de tentar organizar as coisas e entender o que seria possível fazer. Felizmente, consegui remanejar e hoje posso dizer, com o coração muito feliz, que vou continuar na minha Tijuca. Meu desejo sempre foi permanecer, porque tenho um carinho enorme por essa escola, pela comunidade e por tudo o que estamos construindo juntos. Estou muito grata por ter conseguido encontrar uma maneira de conciliar e viver mais um ano dessa história”, afirma.

A permanência também tem um significado especial para a maranhense, que começou sua trajetória artística como bailarina e, ao longo dos anos, construiu uma relação cada vez mais próxima com o samba. Para Mileide, continuar no posto é uma oportunidade de dar sequência ao trabalho que vem desenvolvendo e fortalecer os laços com a comunidade.

“Eu sempre digo que ser rainha de bateria vai muito além de colocar uma fantasia e entrar na avenida. Existe uma responsabilidade muito grande com as pessoas que fazem essa escola acontecer durante o ano inteiro. Eu fui recebida com tanto carinho, aprendi tanta coisa e construí relações que quero levar para a vida. Então, poder continuar é uma felicidade. Tenho muito respeito por essa comunidade e quero seguir presente, participando, aprendendo e dando o meu melhor. Sei o quanto esse posto representa e não poderia estar mais feliz por viver tudo isso novamente”, declara.

Para o Carnaval de 2027, a Unidos da Tijuca dará continuidade à valorização da literatura brasileira com o enredo “A Cabeça do Santo”, inspirado no romance da escritora cearense Socorro Acioli, publicado em 2014. Desenvolvido pelo carnavalesco Lucas Milato, o desfile levará à Marquês de Sapucaí uma narrativa que reúne literatura, religiosidade e cultura popular, tendo como inspiração a história de uma estátua inacabada de Santo Antônio, na cidade de Caridade, no sertão do Ceará.

Natural de Imperatriz, no Maranhão, Mileide celebra a escolha do enredo, que une a valorização de uma obra da literatura nacional às tradições nordestinas. Para a influenciadora, a oportunidade de participar desse desfile torna sua permanência na escola ainda mais significativa.

“Eu acho muito bonito quando o Carnaval consegue contar histórias que fazem parte da nossa cultura e apresentar ao Brasil inteiro obras tão importantes da nossa literatura. E, neste caso, tem um significado ainda maior para mim, porque é uma história que nasce no Nordeste, que fala das nossas tradições, da nossa fé e de um povo do qual tenho muito orgulho de fazer parte. Sou maranhense, carrego minhas raízes comigo em tudo o que faço, então imagina a emoção de poder representar tudo isso na avenida? Estou muito feliz por continuar na Tijuca e por ter a oportunidade de viver um Carnaval com uma história tão especial”, conta.

Por fim, Mileide reforça que a renovação representa a oportunidade de continuar uma trajetória que considera uma das fases mais importantes de sua vida. A influenciadora também agradece o carinho recebido e afirma que pretende seguir se dedicando à preparação para o próximo desfile. “Eu estou vivendo uma fase muito bonita da minha vida e sou muito grata por tudo o que o samba tem me proporcionado. Quero aproveitar cada ensaio, cada encontro com a comunidade e cada momento dessa preparação. Tenho consciência de que estar aqui é uma responsabilidade, mas também é uma alegria que não consigo explicar. Que venha o Carnaval de 2027, porque eu estou pronta para viver mais um ano de muito trabalho, dedicação e amor pela minha Tijuca”, finaliza.

Mileide Mihaile reencontrará a comunidade tijucana nesta quinta-feira, 29 de outubro, no primeiro ensaio de rua da agremiação para o Carnaval 2027. O treino acontece a partir das 20h, na Rua Geógrafo Milton Santos (Via D1) – fundos da quadra do Santo Cristo.

Em 2027, a  Unidos da Tijuca será a segunda escola a desfilar, na segunda-feira de carnaval, pelo Grupo Especial, na Marquês de Sapucaí.

 

Por: Clilton Paz.

Fonte: Geissa Evaristo.

Chitãozinho & Xororó completam “Meninos de Roça” com lançamento do Vol. 3

 

Capa em alta resolução.

Última parte do projeto já está disponível nas plataformas e completa álbum de 19 faixas que celebra as raízes, a vida no campo e a música sertaneja.

 

Antes dos grandes palcos, das multidões e de uma trajetória que transformou a música sertaneja no Brasil, existiam dois meninos, uma família simples e uma vida cercada pelo campo. É para esse lugar de origem que Chitãozinho & Xororó voltam em “Meninos de Roça”, projeto já disponível, com o lançamento do Vol. 3 e do álbum completo nas plataformas digitais.

Com seis faixas, a última parte reúne “Fotografia”; “Foi Deus Quem Fez Você”, com Vanessa da Mata; “Amor de Primavera”, ao lado de Di Paullo & Paulino; “Apaixonado”, com Sâmi Rico; “Amargurado”, em parceria com Mayck & Lyan; e “Na Aba do Meu Chapéu”, com Traia Véia.

Mais do que revisitar referências musicais, “Meninos de Roça” olha para a própria história de Chitãozinho & Xororó e para um Brasil que sempre esteve presente na identidade da dupla. A simplicidade da vida no interior, a relação com a terra, o valor da agricultura e a importância de homens e mulheres que fazem do campo seu sustento atravessam o conceito de um trabalho que transforma lembranças em música.

Gravado em um haras em Jaguariúna, no interior de São Paulo, o audiovisual foi pensado justamente para aproximar a dupla desse universo. A inspiração está na própria infância dos irmãos, quando o milharal se transformava em plateia na imaginação de dois meninos que usavam o cabo da enxada como pedestal e sonhavam com a música. Décadas depois, a imagem ganha outro significado: o sonho cresceu, mas as raízes permaneceram.

“Chegar ao último volume dá uma felicidade muito grande. A gente acompanhou a reação do público a cada lançamento e foi muito bonito perceber o carinho com esse trabalho. ‘Meninos de Roça’ fala de onde viemos, da vida simples, da nossa família e de valores que carregamos até hoje. Agora, finalmente, todo mundo vai poder ouvir o projeto inteiro e conhecer essa história por completo”, celebra Chitãozinho.

“Foi um projeto feito com muito amor e cercado de pessoas que admiramos. Cada artista que aceitou estar com a gente trouxe um pouco da própria história e ajudou a tornar esse trabalho ainda mais especial. Só temos a agradecer a todos que participaram, acreditaram nessa ideia e, principalmente, ao público que abraçou cada lançamento. Esperamos que agora, com o álbum completo, essas músicas continuem emocionando e valorizando as nossas raízes e a música sertaneja”, completa Xororó.

Ao longo de seus três volumes, “Meninos de Roça” promove encontros com Vanessa da Mata, Almir Sater, Di Paullo & Paulino, Sâmi Rico, Matogrosso & Mathias, Mayck & Lyan, Rio Negro & Solimões e Traia Véia, reunindo diferentes histórias e momentos da música brasileira em torno das referências que ajudaram a construir a identidade de Chitãozinho & Xororó.

Com 19 faixas, “Meninos de Roça” chega completo às plataformas, encerrando um ciclo de lançamentos que, ao longo do ano, permitiu ao público descobrir aos poucos um dos trabalhos mais pessoais de Chitãozinho & Xororó.

 

Por: Clilton Paz.

Fonte: Wendell Stahl.