Dança belga no Rio

 

Foto: David Konecny.

Em trabalhos com Alexander Vantournhout, Lisbeth Gruwez e tantos outros artistas atuais, Antoni Androulakis construiu uma trajetória sólida na cena europeia contemporânea.

 

Entre os dias 17 e 19 de março, o Espaço Tápias, no Rio de Janeiro, promove um encontro estratégico para a cena da dança contemporânea brasileira: o workshop internacional FLUXNESS, ministrado pelo bailarino e pedagogo belga Antoni Androulakis. O curso representa mais do que uma formação intensiva — trata-se de um intercâmbio técnico e conceitual que reforça o posicionamento do Espaço Tápias como polo de circulação de pensamento coreográfico internacional.

No centro do workshop está o método autoral Fluxness (ou Flow Work), síntese de anos de investigação física e sensorial. “Não faço distinção entre a maneira como lido com o movimento e como lido com a minha vida diária. Meu ensino é, portanto, uma síntese de coisas que pratico ativamente: consciência, desafio e ludicidade”, afirma o artista, atualmente radicado em Bruxelas.

Formado pelo Conservatório de Antuérpia e com estudos aprofundados na La Manufacture, Androulakis construiu uma trajetória sólida na cena europeia contemporânea. Ao longo da carreira, colaborou com criadores como Alexander Vantournhout, Lisbeth Gruwez, Rakesh Sukesh, Eric Minh Cuong Castaing e Adam Benjamin, além de atuar como assistente de coreografia das companhias Cocoon e Keeping. Essa vivência plural — que transita entre dança e circo contemporâneo — sustenta uma abordagem pedagógica rigorosa, ancorada em pesquisa e experimentação.

 

Serviço:

 

Workshop internacional FLUXNESS com Antoni Androulakis.

Duração: 3 dias - 3h por dia.

Dias 17, 18 e 19 de março de março de 2026.

Sala Maria Thereza Tápias – Espaço Tápias – Rio de Janeiro.

(Av. Armando Lombardi, 175 – 2º andar, Barra da Tijuca - Rio de Janeiro).

Informações e inscrição: (21) 97279-9684 ou através da plataforma Sympla: https://www.sympla.com.br/evento/5-coreografos-em-1-corpo/3328071?algoliaID=2b85e99c2004a816465394a17a9d79e9

Investimento: R$400.

 

Por: Clilton Paz.

Fonte: Cláudia Tisato.

Conceitoh Filmes lança o 1º Festival Internacional de Curtas feitos por crianças e adolescentes com celular

 

Arte: Divulgação.

Projeto inicia oficinas presenciais em março e prevê festival para setembro.

 

A Conceitoh Filmes inicia oficialmente a fase de execução do Curtas Caxias – 1º Festival Internacional de Curtas-Metragens realizados por crianças e adolescentes utilizando um celular. O projeto entra agora na etapa final de preparação das videoaulas, que estão em fase de conclusão e, nos próximos dias, receberão recursos de acessibilidade com inclusão de Libras.

Com cronograma definido, o festival começa com as Oficinas presenciais nos meses de março e abril, que serão realizadas em escolas de diversas cidades. A proposta é ensinar noções de roteiro, linguagem audiovisual e produção de vídeo utilizando o celular como ferramenta principal, incentivando o protagonismo juvenil e a criatividade.

Nos meses de maio e junho, estarão abertas as inscrições para o envio dos filmes produzidos pelos participantes. Poderão ser inscritos curtas-metragens com duração de até 10 minutos, realizados por crianças e adolescentes utilizando o celular como principal ferramenta de captação.

Já em julho e agosto, será realizada a curadoria e seleção das obras que integrarão a mostra oficial.

O Festival Curtas Caxias acontecerá em setembro, reunindo os filmes selecionados em uma programação especial dedicada ao cinema feito pela nova geração. Em outubro, serão entregues os troféus aos participantes premiados.

O projeto reforça a importância da democratização do audiovisual, mostrando que o celular pode ser uma ferramenta de expressão artística e formação cultural quando aliado à orientação técnica e pedagógica.

O Curtas Caxias é uma iniciativa da Conceitoh Filmes, que atua no desenvolvimento de projetos culturais com foco na formação, inclusão e valorização de talentos regionais.

Todas as informações sobre o regulamento, inscrições, oficinas e cronograma completo estarão disponíveis em: www.conceitohfilmes.com.br

 

Por: Clilton Paz.

Fonte: Livia Rosa Santana.

O que aconteceu com o ritual de ir ao cinema?

 

Foto: Divulgação.

Durante muito tempo, ir ao cinema foi mais do que assistir a um filme. Era programa, ritual, experiência coletiva. Escolher a sessão, sair de casa, comprar ingresso, sentar na poltrona e esperar a sala escurecer fazia parte de um hábito que movimentava não apenas a indústria, mas também a forma como as pessoas viviam o entretenimento.

Hoje, esse ritual parece estar passando por uma mudança importante.

Nem mesmo os grandes blockbusters, com orçamentos milionários e campanhas globais, garantem mais o resultado de antes. O cinema segue movimentando cifras enormes, claro, mas já não encontra o público com a mesma facilidade. Produções caríssimas vêm ficando abaixo das expectativas, e até franquias que antes pareciam imbatíveis começam a sentir o desgaste.

Mas talvez a questão mais interessante não esteja apenas nos números. O que está em jogo também é comportamento.

Ir ao cinema ficou caro. Em muitos casos, um ingresso somado ao tradicional combo de pipoca e refrigerante transforma um passeio simples em um pequeno evento financeiro. Diante disso, muita gente faz a conta e decide que a experiência já não vale tanto quanto antes, principalmente quando o mesmo filme, ou algo parecido, estará disponível em casa em pouco tempo.

Só que não é só preço.

Há uma mudança na relação das pessoas com o tempo, com a atenção e com a convivência. O espectador que antes aceitava a experiência coletiva como parte do encanto agora encontra mais conforto no streaming, no controle remoto, na pausa para o banheiro, no sofá e no ambiente sem interrupções externas.

E isso nos leva a um ponto delicado: o comportamento dentro das salas.

Celulares acesos, conversas em voz alta, entradas e saídas constantes, falta de constrangimento diante do incômodo causado ao outro. Sempre existiu algum grau de desrespeito, mas hoje parece haver menos vergonha em ser inconveniente. E esse detalhe, que pode parecer pequeno, muda completamente a experiência.

O cinema, como espaço coletivo, depende de um pacto mínimo de presença e atenção. Quando esse pacto se rompe, ele deixa de competir apenas com o streaming e passa a competir com algo ainda mais profundo: a dificuldade contemporânea de sustentar silêncio, foco e convivência.

Talvez seja esse o centro da questão.

Mais do que a falta de bons filmes ou a força das plataformas digitais, o que está mudando é a maneira como as pessoas querem viver histórias. O cinema pede deslocamento, tempo, dinheiro, paciência e disponibilidade. E talvez uma parte do público já não queira — ou já não consiga — oferecer tudo isso.

No fim das contas, a pergunta deixa de ser apenas “por que as pessoas estão indo menos ao cinema?” e passa a ser outra: o que as pessoas estão buscando hoje quando escolhem como, onde e com quem querem viver uma experiência cultural?

Porque, quando o ritual muda, não é só o mercado que muda com ele. As pessoas também.

 

Por: Clilton Paz.

Fonte: Carlos Augusto Rodrigues.